Afinal, o que é Trauma?

O Trauma é, atualmente, a principal causa de morte nas primeiras quatro décadas de vida (1 a 44 anos), superado apenas pelo câncer e doenças cardiovasculares quando consideradas todas as faixas etárias. Anualmente, milhares de pessoas morrem ou tornam-se inválidas devido a eventos traumáticos, acarretando um custo social e financeiro elevado, além do sofrimento humano inerente. Todos nós conhecemos alguém que já sofreu algum acidente ou foi parte dos (crescentes!) números de violência. Trauma é efeito colateral da nossa exposição na sociedade.

O Brasil é responsável por 150.000 mortes a cada ano, pois o fácil acesso às armas associado à banalização da violência fazem vítimas diariamente. A alta taxa de acidentes de trânsito devido a imprudência, abuso de substâncias como álcool e drogas, e más condições de nossas estradas também nos deixam suscetíveis à acidentes. Com a urbanização desordenada e o desenvolvimento tecnológico, além da má distribuição de renda, houve um aumento alarmante do número de acidentes de trânsito e de trabalho, bem como das agressões interpessoais.

Em decorrência do trauma podemos identificar vários problemas na área social e da saúde.  Muito dinheiro é gasto, direta e indiretamente com trauma, trazendo grande prejuízo ao país. Nos EUA, esses custos excedem 400 bilhões de dólares anuais. Os gastos diretos são provenientes do atendimento pré-hospitalar, médico, hospitalar e de reabilitação do acidentado à sociedade. Os gastos indiretos ocorrem devido ao comprometimento da capacidade de trabalho do indivíduo em sua idade mais produtiva (antes dos 45 anos de idade). Há ainda os custos previdenciários e a desestruturação de famílias, seja pela morte ou pela invalidez de seus membros.

No Brasil, com exceção de poucos grandes centros, não temos uma cultura ou política de combate ao trauma e não cogitamos que ele seja doença social. Dessa forma, o tema é abordado, na maior parte do universo acadêmico nacional, de forma superficial, sem despertar o estudante para a sua relevância, formando profissionais pouco qualificados para o atendimento ao trauma grave.

Photo by Nick Oza/ The Arizona Republic

Faz-se necessária a conscientização da magnitude do problema e o reconhecimento de que exige qualificação técnica especial para o seu atendimento pois, como qualquer doença que afeta a saúde pública, necessita ser combatido também através de estratégias bem definidas de controle e prevenção.

Como em países desenvolvidos, é preciso adotar leis rigorosas para punir agressões, desenvolver políticas de orientação da população, implantar equipamentos e normas de segurança, dotar o sistema de saúde com instituições especializadas em atendimento e resgate do traumatizado (pré-hospitalar e hospitalar).

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